E com a ressignificação do balanço o reencontro com a Menina Interior.
Após uma proposta de cura, cujo tema principal era o abandono do Balanço, que eu não consegui realizar, a vida seguiu em frente, entre "trancos e barrancos", esperanças, desilusões e muitas lutas.
A ressignificação veio através da Terapia na abordagem Sistêmica. Minha terapeuta me disse com voz tranquila - eu gosto do balanço, da sua história no balanço - me lembra algo um pouco selvagem, como os macacos pulando de galho em galho, podendo passar para outras realidades.
Então, tendo a permissão exterior, logo depois me permiti olhar para o BALANÇO de uma forma positiva:
1. Vi que fui a única filha para a qual meu pai tinha feito um presente e esse presente era um brinquedo, em uma época que era "normal" criança trabalhar.
2. Que no balanço fiz espontaneamente um complemento dos meus estudos.
3. Que o balanço foi um local concreto, com tempo e espaço SEGURO para fantasiar.
4. Mas junto da fantasia estava também o tempo seguro do estudo, das leituras, das infinitas "reflexões" infantis.
5. O balanço é por si só um mecanismo de relaxamento, e deve ser devido à sabedoria, que crianças e idosos fazem "uso" dele.
Então me dei conta que estar no balanço, para minha criança interior, era como poder voar, e entendi os muitos sonhos que tive onde eu voava levemente, suavemente.
No sonho, onde me tornava um ser com uma capacidade natural de voar, me "estrupiava" toda, na hora de aterrissar. Era sempre uma aterrissagem de cambalhotas e deslizamentos em uma terra árida.
Com o tempo passei a ter medo de aterrissar no sonho e provavelmente também na vida real.
Com o tempo, passei a olhar para minha história de vida de "esgueio" como diz o mineiro - com desconfiança, medo e insegurança.
Mas agora, como quem renasce das cinzas, a partir de um contexto social acolhedor, uma música suave, um treino desafiante, fiz as pazes com a minha criança interior, conhecendo e admirando a Menina do Balanço.
Sem demagogias, sem curas milagrosas, sem apoteose:
Apenas eu, meu olhar suave e amoroso para o passado, os pés fincados no presente, a atenção "cravada" no cotidiano, a esperança no futuro próximo, enquanto à minha volta, juntas comigo, outras mulheres lutam pela sua sobrevivência.
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