domingo, 25 de janeiro de 2026

A PERSEVERANÇA ATREVIDA DA MENINA DO BALANÇO.


Durante a faculdade de psicologia surgiu a necessidade de fazer terapia.


E eu que não tinha dinheiro para pagar nem a faculdade e não sabendo que era impossível fui lá e fiz - Jean Cocteau.

Procurei um terapeuta nos classificados, liguei e marquei as sessões.

É claro que não deu certo - eu não tinha dinheiro para pagar.

Paguei as sessões que consegui, encerrei o processo e sobrevivi.


Mas o que mais me marcou foi a terapeuta me dizer que a Menina do Balanço era um sonho que precisava ser abandonado. Eu deveria deixar o bem estar do balanço de lado, os sonhos, esperanças e aceitar a minha dura realidade de jovem da classe trabalhadora.

Ela não entendeu que a Menina do Balanço era resultado internalizado das dores da minha vida e da vida das mulheres ao meu redor. 

Que a esperança que se transformava em sonho era fruto da dor e continha em si muitas angústias.


Hoje me pergunto se essa orientação terapêutica está marcada pelo preconceito de classe e pelo machismo estrutural.


Me pergunto se alguém ou algum terapeuta diria para um jovem homem de classe média que ele deveria abandonar seus sonhos.


O importante é que a Menina do Balanço recusou-se a ir embora, porque não podemos abandonar nossa própria história.


O que a terapeuta não sabia é que na minha classe social se vive e sobrevive sempre pela TEIMOSIA e a MENINA DO BALANÇO da minha história já sabia disso.


E que por isso desistir não era uma opção para mim.


No fundo eu sabia, contemplando a história das mulheres ao meu redor, que a outra opção para a luta, era muito pior que a luta.

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