Durante a faculdade de psicologia surgiu a necessidade de fazer terapia.
E eu que não tinha dinheiro para pagar nem a faculdade e não sabendo que era impossível fui lá e fiz - Jean Cocteau.
Procurei um terapeuta nos classificados, liguei e marquei as sessões.
É claro que não deu certo - eu não tinha dinheiro para pagar.
Paguei as sessões que consegui, encerrei o processo e sobrevivi.
Mas o que mais me marcou foi a terapeuta me dizer que a Menina do Balanço era um sonho que precisava ser abandonado. Eu deveria deixar o bem estar do balanço de lado, os sonhos, esperanças e aceitar a minha dura realidade de jovem da classe trabalhadora.
Ela não entendeu que a Menina do Balanço era resultado internalizado das dores da minha vida e da vida das mulheres ao meu redor.
Que a esperança que se transformava em sonho era fruto da dor e continha em si muitas angústias.
Hoje me pergunto se essa orientação terapêutica está marcada pelo preconceito de classe e pelo machismo estrutural.
Me pergunto se alguém ou algum terapeuta diria para um jovem homem de classe média que ele deveria abandonar seus sonhos.
O importante é que a Menina do Balanço recusou-se a ir embora, porque não podemos abandonar nossa própria história.
O que a terapeuta não sabia é que na minha classe social se vive e sobrevive sempre pela TEIMOSIA e a MENINA DO BALANÇO da minha história já sabia disso.
E que por isso desistir não era uma opção para mim.
No fundo eu sabia, contemplando a história das mulheres ao meu redor, que a outra opção para a luta, era muito pior que a luta.
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