Um processo reflexivo embasado na espera.
A espera de:
- uma vida melhor na cidade.
- ser alguém com profissão e renda própria.
- não ser presa da sociedade machista, mesmo na época não conhecendo a palavra.
- alçar grandes vôos a partir dos meus próprios sonhos.
Quando o tempo da espera terminou e a hora de lutar começou, eu não sabia que era impossível e, como diz a frase de Jean Cocteau, "não sabendo que era impossível, fui lá e fiz".
Não sabia que não era permitido:
- filha de migrante estudar na faculdade.
- mulher ter opinião própria.
- dizer NÃO quando todas diziam SIM.
- gritar, espernear de dor quando os ventos contrários vinham fortes.
- sentir sono e desfalecer de cansaço quando o limite era trabalhar e estudar dia e noite.
Hoje, quando os "Coaching de internet" falam de maximização de tempo, a MENINA DO BALANÇO EM MIM ri sozinha por dentro e retorna simbolicamente à sua época, em que tinha TEMPO para a leitura, memorização e reflexão.
Porque depois do balanço foi tudo correria, trabalhos sem fim, cobranças generalizadas.
Alguns sonhos se realizaram, outros não.
De alguns sonhos eu cheguei perto, flertei com o sucesso e depois o significado passou.
Outros, a vida me trouxe, me surpreendendo com alegrias calmas e suaves.
Alguns sonhos novatos vieram emprestados com as novas necessidades da vida.
Hoje fiz as pazes com a menina do balanço, e retornei lá com a alma leve e tranquila, sem cobranças, sem pressa, sem medo de errar.
Cheguei e contemplei meu passado com os afetos experientes do presente.
Fiz as pazes com os sonhos, me deixei retornar sem medo e sem "peso".
Não quero ficar ali no balanço, por isso estou trazendo a MENINA comigo, para as místicas do entardecer de meu sítio real.
MORAREMOS AQUI PELO TEMPO QUE A ESPERANÇA NOS PERMITIR.
A menina do balanço se concretizou aos meus 07 anos, quando, movido "sabe Deus pelo que", meu pai fez um balanço para mim debaixo do pé de manga gigante.
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